Onde está o ponto? Qual é o equilíbrio? É verdade que se está sempre no balanço? Qual é o limiar entre sanidade e loucura? E a diferença entre a realidade e a ficção? O cotidiano de um homem é a sua vida real? Qual o evento determinante, o momento da guinada, em que tudo adquire outro rumo? Nos transformamos nas escolhas que fazemos? Quantos de nós existem dentro de nós? Temos apenas uma única certeza: “caminhamos todos para o fim, para o mesmo fim!”
A Téspis Cia. de Teatro nunca buscou a definição de uma linguagem única, de um estilo ímpar. Cada processo de montagem nos aponta novos caminhos, novas buscas, nos provoca distintas inquietações. O estilo aparece depois, ao término da montagem que culmina no espetáculo. Poderia dizer que somente no fim entendemos do que estamos falando e o que estamos fazendo. Mas este fim é também sempre um novo começo, pois sabemos que depois que um trabalho estréia é que de fato inicia sua trajetória. E as definições inicialmente descobertas passam a transformar-se no olhar do público, a complementar-se na resposta que temos da platéia. E é nesse caleidoscópio que gostamos de nos ver.
Pequeno Inventário de Impropriedades traz duas novidades que nos estimula muito. O fato de termos um texto próprio, neste caso pelas mãos de Max Reinert, que tem demonstrado interesse pela dramaturgia nos últimos tempos, e o fato de invertermos os papéis. Desta vez eu, atriz, dirijo o diretor do grupo. O texto próprio era algo que já vínhamos ensaiando há algum tempo, pois sempre trabalhamos com adaptações de outros autores. E a inversão de papéis no caso da atuação e direção, nos possibilita exercitar o olhar em outro sentido.
Outro grato prazer que um novo processo nos traz são as parcerias com outros profissionais, que vem dinamizar ainda mais o olhar sobre a obra, e então ela já passa a ser “de todos nós”. E a partir de agora já passa a ser “de todos vocês”, pois também já não nos pertence mais.
Release:
Pela primeira vez no Estado, companhia de teatro leva um “blog” para os palcos
Um exercício de escrita sem nenhuma pretensão. É assim que Max Reinert, criador do blog “Pequeno Inventário de Impropriedades”, define a sua entrada no mundo dos chamados “diários virtuais”. O que poderia ser apenas um emaranhado de palavras de desabafo aliadas à textos com significados distintos, transformou-se em rotina. E uma rotina séria! Da rotina, nasceram novas idéias, como os textos de ficção. E, dali por diante, a interação com os internautas – cada vez maior – começou a fazer algum sentido.
“Os textos de ficção sempre recebiam comentários de que poderiam virar cenas ou até curtas-metragens. Despertavam imagens nas pessoas”, destaca. Foi esse feedback que fez nascer no blogueiro – que, antes de tudo, é ator, diretor e um dos fundadores da Téspis Cia de Teatro – a vontade de levar aos palcos as idéias colocadas na web. “Por ocasião do edital do Prêmio Miriam Muniz de Teatro da FUNARTE e, com minha entrada para o Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná, precisava criar um projeto, algo que pudesse virar um espetáculo de verdade. Então, reuni o material do blog e enviei para esses lugares. Mais tarde, mandei também para o Edital Elisabete Anderle. Todos os projetos foram aceitos”, conta Max. Assim, a Cia teve a possibilidade de transformar em realidade o que, à princípio, era somente uma ideia.
A peça conta a história de um homem que vive dentro de um cotidiano previsível e repetitivo, até que um acontecimento muda o seu rumo. “Ele sai de uma vida ordinária e descobre o poder da violência latente dos dias de hoje. Ficção e realidade se misturam, até não conseguirmos distinguir onde uma começa e a outra termina”, revela a diretora da peça, Denise da Luz – que, ao lado de Reinert, também é uma das fundadoras da Téspis.
Na ficha técnica do espetáculo ainda figuram nomes como o de Hedra Rockenbach, responsável pela ambientação sonora, e Bruno Girello, que criou a iluminação da peça. Hedra assina o trabalho de som do Cena11 – grupo referência na dança contemporânea brasileira e tem um trabalho considerado inovador e urbano. Utiliza-se de elementos ligados à música eletrônica que, aliados a sua voz inconfundível e sua guitarra, resultam em sons bastante peculiares. Já Bruno é um jovem iluminador de Curitiba (PR), que se destaca pela forma peculiar com que trabalha a luz, utilizando-se de poucos elementos, que dão um efeito poderoso no trabalho. Atualmente, Bruno também atua como assessor de produção da Sutil Cia. de Teatro, do diretor Felipe Hirsch.
O processo de construção do texto do espetáculo durou oito meses e foi acompanhado pelo dramaturgo Roberto Alvim, que reside em São Paulo (SP) e é ministrante da oficina regular do Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná (da qual Reinert fez parte). “O texto recebeu diversas leituras e, com a colaboração dos participantes do núcleo, chegamos ao texto final”, explica Max. Já o processo de ensaios teve duração de cinco meses. “Uma das coisas mais interessantes dos ensaios foi ter que ‘re-descobrir’ o texto que eu havia escrito, dessa vez conduzido pelas mãos da diretora. Transformar o que era um ‘conceito de dramaturgia’ em palavras e ações executadas por uma pessoa na cena foi um desafio”, relembra o ator.
Desde sua estréia no Teatro da UBro (Fpolis) em abril de 2010, o espetáculo já circulou pelas cidades de Itajaí, Pomerode, Joinville, Blumenau, Brusque, São João Batista e Tijucas (em SC), além de participar dos seguintes eventos:
* XII Festival Nacional de Teatro de Americana – SP – Edição 2010 (indicado para melhor trilha sonora e premiado com melhor iluminação, cenário e texto original);
* VI Festival Nacional de Teatro de Limeira – SP – em 2010 (indicado para melhor ator e premiado com melhor trilha sonora, iluminação, cenário e texto original);
* 15o Festival Catarinense de Teatro, em Brusque – SC – em 2010 – Mostra Oficial, não competitiva;
* EmCena Catarina – projeto de circulação do SESC SC em março e novembro de 2011;
* Mostra Outros Lugares – Teatro de Novos Dramaturgos, durante o Festival de Teatro de Curitiba, no Teatro da Caixa, em março de 2011;
* Festival Porto Alegre em Cena, em setembro de 2011;
* Festival Caxias do Sul em Cena, em setembro de 2011;
* Festival Nacional de Teatro Isnard Azevedo – Floripa Teatro – em outubro de 2011;
* FESTE – Festival Nacional de Teatro de Pindamonhangaba, SP – em outubro de 2011;
* FETEL – Festival Nacional de Teatro de Lages, SC – em novembro de 2011;
* Festival Nacional de Teatro do Acre – em janeiro de 2012;
* Maratona Cultural de Florianópolis – em março de 2012;
* Festival Nacional de Teatro de Chapecó – em maio de 2013.
* III Festival Brasileiro de Teatro – Toni Cunha – em Itajaí, em setembro de 2013.
* Selecionado para o 2° Brusque em Cena, em Brusque, SC, em junho de 2016.

* Integrou o projeto Dramaturgias em Cena, edital #SCulturaEmSuaCasa, em novembro de 2020;
* Selecionado para o InterFACE – Festival de Artes Cênicas de Bauru, em março de 2021;
* Convidado para o projeto Teatro #EmCasaComSESC, promovido pelo SESC SP, em maio de 2021;
* Selecionado para o 5º Festival Nacional de Teatro de Passos, MG, em julho de 2021.
* Este projeto foi contemplado com o Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura.
* Peça escrita durante a Oficina Regular do Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná, sob a orientação de Roberto Alvim, no ano de 2009.
Ficha Técnica:
Texto e Atuação: Max Reinert
Direção e Figurino: Denise da Luz
Ambientação sonora: Hedra Rockenbach
Iluminação: Bruno Girello
Edição de vídeo: Vitor Zimmermann
Cenografia: Max Reinert e Denise da Luz
Confeccionada por Fer’Forge
Máscara: Cidval Batista Jr e Gerson Presa
Foto: Nubia Abe e Aline de Góes
Operação técnica: Denise da Luz e Jônata Gonçalves
Assessoria de Imprensa: Jônata Gonçalves
Produção: Téspis Cia. de Teatro
Patrocínio: Petrobras e Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura
Realização: FUNARTE (Fundação Nacional de Artes), Ministério da Cultura, Governo Federal, Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria do Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de SC.
Apoio: ACF (Associação Cultural FUNARTE)
Sinopse:
O que já se disse
Necessidades Físicas
Palco Italiano –
Caixa cênica com as seguintes dimensões mínimas:
09 metros de largura
07 metros de profundidade
04 metros de altura
Iluminação
16 refletores PC 1000W com bandor
08 “pés de galinha”
08 refletores elipsoidais
02 estantes para iluminação lateral
Sonorização
CD Player
Caixas com potência adequada para o local
Mesa de som móvel para instalar junto à projeção
Transporte
03 pessoas
(um ator e dois técnicos)
Cenários são transportados com o grupo
Há um pequeno excesso de peso.