"A
figura de um contador de histórias sempre será
uma figura mágica, encantadora e que nos transporta
a outras realidades. O tempo passa e os narradores de
histórias vão se transformando e se distinguindo
dos narradores tradicionais, no entanto a magia do “Era
uma Vez...”, não perde a amplitude imaginária
que exerce sobre a platéia.”
Patrícia
Lane
(Contadora
de Histórias)
Por
que Contar?
Falar sobre a importância de se contar histórias
pode parecer, à princípio, “chover
no molhado”, no entanto, com o passar do tempo,
perdeu-se o hábito de contar histórias e,
em tempos de globalização, as crianças
trocam os livros pelo computador e outros jogos eletrônicos.
Quase todo mundo lembra (e com prazer) da época
em que ouvia atentamente, antes de dormir, historinhas
contadas por seus pais. Eram eles que, geralmente, adaptavam
contos e histórias clássicas ou simplesmente
inventavam sagas fantásticas que duravam apenas
alguns minutos.
Hoje em dia são os professores, os bibliotecários
e os contadores de histórias profissionais (e amadores)
que assumiram esta tarefa de manter acessa a chama da
“oralidade”. E por que não “atores”
realizarem, também, este trabalho? Ora, a oralidade
é umas das ferramentas da atuação.
O encantamento produzido na platéia aos assistir
um espetáculo teatral pode também ser obtido
utilizando o mínimo de recursos e abrindo-se mão
da “quarta parede” e da caixa cênica
do teatro italiano.
Dando continuidade à sua pesquisa sobre as distintas
formas teatrais e ocupação de espaço
a Téspis Cia. de Teatro envereda pelos caminhos
da contação de histórias.
O
que contar?
Os
contos de fada e os contos populares quase sempre são
unanimidade nos espetáculos e sessões de
contação de histórias. Na busca de
uma identidade nessa área de nosso trabalho foi
imprescindível que tivéssemos começado
por eles, mas “sempre existe um sapato velho para
um pé cansado” e nós também
encontramos o nosso.
Didier Lévy reconstrói (ou seria desconstrói?)
um novo mundo de cotos de fadas e princesas, brincando,
de maneira bem responsável, com clichês,
esterótipos e arquétipos. “Revela”
alguns segredos dessas famosas personagens nunca antes
contados. Por exemplo: como elas fazem para manter um
sorriso sempre lindo? E será que elas sempre preferem
aqueles vestidos longos cor-de-rosa, ou algumas gostam
mais de vestidos azuis, bem curtinhos? E o que fazem as
fadas quando estão com preguiça e não
querem saber de feitiços? Entre um conto e outro,
descobrem-se informações pouco conhecidas,
mas preciosas, sobre o mundo dos contos de fadas, aproximando-o
das crianças e tornando-o mais concreto.
Nosso espetáculo de contação tem
(até o momento) em seu repertório as seguintes
histórias:
* As maravilhosas invenções da Fada
Raimunda.
* Como a Princesa Constância perdeu seu Reino.
* O desaparecimento da Princesa dos Saleiros.
* O dia em que a Princesa Cactéia quis voltar para
o deserto.
Estão sendo preparadas outras histórias
que passarão a fazer parte do repertório
e podem entrar e sair do “cardápio”
das apresentações:
* O dia em que a varinha de condão da Fada
Aurora deixou de ser mágica.
*
Como a Princesa de Neca de Pitibiriba tornou-se Princesa
da Lagoa da Felicidade.
E
aí, como ficou?
Unindo o trabalho da Cia. com a contação
de histórias, pesquisamos várias maneiras
de realizar este trabalho: a animação de
objetos, bonecos de figura, ilustrações,
quadros animados, etc.
Nosso intuito é realizar uma contação
de história divertida, sem preocupar-se com o resgate
e/ou trazendo um saudosismo exacerbado. Tentamos mostrar
às pessoas o quanto legal pode ser um livro, fazer
com que elas descubram o prazer pela leitura e exercitem
sua criatividade. Que elas leiam os clássicos,
mas que também descubram que há muitas outras
leituras possíveis. Que elas descubram nosso folclore,
mas que também viagem pelos universos cibernéticos
da atualidade. Que elas descubram que existe uma grande
diversidade no mundo, nem mesmo as fadas e princesas são
como eram antigamente, imagine nós!!!!
Como
é que eu faço para ver?
O espetáculo praticamente não precisa de
estrutura para ser apresentado. A atriz Denise da Luz
conta as histórias e Max Reinert a auxilia operando
a sonoplastia e outras coisas mais... O espaço
é uma sala ampla, tipo uma sala de aula (vazia!!!).
Escutam as histórias 50 (cinqüenta) crianças
de cada vez, sentadas sobre uma lona pintada e com cavaletes
e acessórios da contação por todos
os lados.... ahh, precisa ter uma tomada de 220W por perto!
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